A percepção do universo captada pela ordinária visão de um jornalista terráqueo

quinta-feira, 26 de junho de 2008

No mundo da Lua

Numa ação sem precedentes na história da exploração espacial, em novembro a NASA mandará para a Lua mais de um milhão de nomes junto com os satélites LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) e LCROSS (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite).

Os nomes serão colocados em um microchip instalado no satélite LRO, que será lançado pelo foguete Atlas V. A NASA abriu o cadastro no dia 1 de maio através de seu site e o prazo para mandar o nome é até o dia 27 de junho, ou seja, amanhã.

Esta será a primeira missão de exploração para o programa de retorno dos homens à Lua, em 2020. O LRO vai mapear a superfície lunar para ajudar na localização de um lugar seguro para aterrissagem, além de procurar recursos vitais para o homem.

Aficionado pelo espaço desde criança, não pude deixar de fazer o meu cadastro e homenagear um artista que, quando ainda vivo, aqui na Terra, já vivia no mundo da Lua. Veja abaixo o meu certificado e o do Mussum.


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Profissão: Perigo

Engana-se quem pensa que falarei sobre o herói MacGyver neste post e seu indefectível canivete. Tampouco farei menção ao astuto, louco e corajoso Bear Grylls (o MacGyver da nova geração), apresentador do programa À Prova de Tudo.

A profissão perigo pela qual me refiro, por mais incrível que pareça, é o jornalismo. Elenquei sete vídeos que provam o quanto pode ser duro e embaraçoso o ofício gazeteiro. E, como cauto membro da classe, pretendo, com este post, fazer um sério alerta aos aspirantes a nossa fatídica profissão. Quer mesmo ser jornalista? Então, vai vendo:

O primeiro vídeo mostra as precárias estruturas a que somos submetidos a trabalhar. Situação que pode causar sérias dores de cabeça.



Este segundo vídeo mostra uma situação arriscadíssima. Fazer uma externa invariavelmente deixa o repórter alheio a terríveis situações de abuso e constrangimento.



Se o seu diretor te pauta para fazer uma passagem extravagante e diferenciada, desconfie. Ele pode estar armando uma grande cilada.



Nunca seja metido a besta e queira mostrar mais conhecimento do que realmente possui e, principalmente, tenha sempre cuidado onde coloca as mãos.



Uma criança não deve de forma alguma ficar perto de um repórter enquanto ele faz uma passagem. O risco, sim, é iminente.



Em terrenos excêntricos, a hostilidade pode ser involuntária. Portanto, watch your back!



Para finalizar, provo que até a interação pode ser causadora de danos e embaraços.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Só algum pequeno tiro pode lhe ter atingido

Tenho recebido coisas inusitadas pelo e-mail de remetentes que desconheço. Dessa vez foi essa tirinha, que veio acompanhada de uma frase bem carola. Tipo: "esquecemos da ajuda de alguém lá de cima e blá blá blá..."
O que eu achei curioso nessa historieta foi a semelhança do "alguém lá de cima" com o Cristo Redentor do topo do morro Corcovado. Automaticamente imaginei uma versão carioca para a tira, menos cristã e mais anedótica. Ao invés de pedras, balas perdidas.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

100 anos e grandes irmãos


Há exatos 100 anos, do porto de Kobe ao porto de Santos, navegou o Kasato Maru, primeira embarcação nipônica a aportar no Brasil carregando em seus pavimentos de bordo centenas de imigrantes.

Na ocasião, esses japoneses debandaram para terras tupiniquins em busca de melhores condições de vida, devido à pobreza e ao desemprego que assolava o Japão após o fim do feudalismo e do início da mecanização da agricultura no país.

A bordo do navio havia mais de 700 imigrantes, embora esse número hoje não represente o principal carregamento trazido pelo convés, proa, estibordo e bombordo do Kasato Maru.

A embarcação trouxe consigo, acima de tudo, o início de uma relação de trato mais próxima entre Brasil e Japão. Intimidade que evidentemente enfrentou (e ainda enfrenta) percalços pelo caminho, fator inerente a qualquer tipo de convivência. Mas que hoje, um século depois, torna-se um tanto mais forte, num mundo marcado pela globalização, por um mercado "desprovido" de fronteiras e, principalmente, pela miscigenação, vide os nossos (leia-se: do planeta) isseis, nisseis, sanseis, yonseis, mestiços e dekasseguis.

Sinto-me feliz e orgulhoso em pensar que este acontecimento centenário me trouxe verdadeiros irmãos (in)diretamente oriundos dessa curiosa terrinha. Saudação a vocês!

terça-feira, 17 de junho de 2008

O nosso cérebro é doido !!!

Recebi isto no e-mail:

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso aocencte poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa.

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Lenda Mapuche (IV de IV)

(Índio falando)

“Machi é aquele que recebe das divindades a missão e o poder de curar pessoas tanto no plano material quanto no psíquico e espiritual. Agora você se encontra em meu Kuimü, momento em que contato forças sobrenaturais projetando em tudo a minha volta, inclusive em você, um estado de transe”.

“Estou fazendo um pequeno Machitun, ritual de cura para te livrar desta enfermidade. O Machitun é composto de três partes: diagnóstico, expulsão e revelação sobrenatural da verdadeira causa de sua doença”.

“Esta madeira (aponta) é de uma árvore chamada Rewe. Seu tronco é cósmico e une o mundo natural ao sobrenatural. Ela pode alcançar 40 metros de altura nos bosques úmidos e produz uma flor de cor branca chamada Ngulngu ülngu ulngo. Sua casca é grossa e contém uma delgada resina”.

“No Rewe misturo três espécies de plantas: Borraja, para purificar seu sistema respiratório; Tusilago, para limpar sua garganta; e Parqui o Palqui, para agir como sudorífero e anular seu resfriado e febre”.

(Pausa)

O Machi parou de falar e colocou de lado a espátula com que espremia aquelas substâncias. Com movimentos suaves me estendeu o Rewe e disse:

- Lave sua cara. Limpe seu nariz. E coma. (Kullumtunge. Liftuaymi tami yu. In.)

Eu estava tão envolvido e intrigado com suas palavras que não conseguia esboçar reação. Meio lesado e bem devagar olhei para a pasta que ele me estendia. Era algo muito parecido com o gorfo de um cachorro que tive que comia plantas no jardim da minha mãe. Ainda lento e pasmo, estendi a mão peguei o Rewe.

Coloquei-o no colo, apanhei um punhado da pasta com a mão e analisei. Tinha cheiro de folha e cara de gorfo de folha, nada apetecível. Numa ação repentina, botei um punhado na boca e mastiguei evitando caretas. O gosto não era tão ruim, afinal tinha sabor de folha. A consistência que não era das melhores, mas mesmo assim engoli. De certa forma tinha gostado daquilo e me empolguei. Comecei a passar no rosto, nariz e pescoço ao mesmo tempo em que comia. Comi um monte até escutar:

- Eluen (Dê-me)

Entreguei o rewe e supus que já tinha usado o suficiente. Trinta segundos depois comecei a sentir uma moleza muito forte por todo o corpo. Enquanto eu bocejava e espreguiçava com a cara toda melecada, o Machi cantarolava um mantra surreal batucando em um Kultrung (Instrumento de percussão mapuche feito com madeira nativa e coro de ovelha. Em seu interior há moedas de prata e pequenas pedras coloridas, de significado mágico e afetivo para o Machi).

- Feley, Feley / Feley, Feley / Chem dungu müley, peñi? / Chew ngemeymi? ó Chew Amuymi / Tunten fali? / Chumül Wiñoaymi? / Feley, Feley / Feley, Feley / Che kulliñ nieymi tami ruka mew?

- Assim és, assim viverás / Que novidades traz, irmão? / Para onde foi? / Para onde vai?/ Quando voltará? / Assim és, assim viverás / Como são os animais de onde você vem?

Aquela canção me envolvia completamente e a moleza que sentia no corpo dava lugar a uma sensação de prazer incomensurável. Eu não conseguia parar de sorrir e passar a mão sobre mim mesmo, embevecido numa onda de percepção de sentidos.

Minha visão já não se encontrava mais no interior daquela rústica cabana e nem tão pouco o índio eu avistava. Enxergava uma profusão ininterrupta de formas e cores, que começava num fundo branco e como uma raiz trepadeira subia, dava voltas, criava cores, seguia caminhos distintos, formava caleidoscópios, cintilava, faiscava e tremeluzia.

A audição estava extremamente aguçada. Podia ouvir passos de formigas ecoando em suas ligeirinhas passadas na terra batida. Conseguia escutar o escorregar de um pingo de orvalho no alto de uma árvore até o seu choque contra o chão, fragmentando-se em dezenas de gotículas.

No tempo em que tudo isso acontecia, o Machi continuava o mantra. Até que ele parou de cantar e retomou a fala. Eu continuava sem vê-lo, mas podia ouvi-lo com tanta nitidez que tinha a capacidade de enxergar suas palavras, que entravam em harmonia com aquele baile de formas e cores em minha visão.

- Eu te conheço há muito tempo, você que agora se autodenomina Luís. Conheci-te com o nome de Awkin Kürüf (Eco do Vento) em uma de nossas vidas, em que crescemos e aprendemos muitas coisas juntos.

- Hoje você está aí, encarnado e recebendo um novo aprendizado. Vejo que você não está se saindo mal, mas tenha cuidado. O Planeta Terra ainda é limitado e muito mais perigoso do que naquela época.
- Concentre-se em seu objetivo e lembre-se de seu verdadeiro propósito cósmico. Você é como o vento. Enquanto a mim foi dada a missão de curar, a você foi atribuída a incumbência de comunicar, embora não sejamos senhores do tempo nem da razão

- Missões não tornam ninguém mais especial do que ninguém, afinal cada ser deste universo existe por razões fundamentais, até mesmo os que se perdem.

- Evite suas tentações e ponha em prática suas ideologias. Seu coração é bom, por mais que você mesmo ainda não tenha tanta certeza disso. E lembre-se: o que mantém a alma viva e em constante jornada pelo cosmo é o desejo e a força de fazer o bem. Atitudes nefastas maculam o espírito até o seu desvanecimento.

- Como prometido naquela época, continuo olhando por ti. E quando os papéis novamente se inverterem, não esqueça de velar por mim, peñi.

Lágrimas incrédulas escorreram pelo meu rosto. Aquelas palavras me levaram até a Lua, onde pude contemplar a Terra. Levaram-me até o âmago de meu corpo, na parte mais íntima de meu ego, onde pude julgar meus atos. E, por fim, levaram-me até o nada, o vazio, onde pude enxergar a importância da vida.

E no nada eu permaneci por um bom tempo... Até que...

(Voz da Hermínia)

- Tom, Tom (insiste), você está bem?

(Barulho de motor e estrada)

Meio desorientado, olho para ela e pergunto:

- Onde estamos?

“Estamos chegando”, responde.

- Chegando onde?

“Em Pucon, oras. Para onde acha que estamos indo?”

Olhei a minha volta e tive um grande Déjà Vu. Estávamos realmente no ônibus que havia nos levado até Pucón um dia antes, na mesma estrada e na mesma hora. Logo pensei: “tudo não passou de um grande sonho. Mas como pode? Que sonho fantástico”.

Estava ainda confuso e abobado quando Hermínia perguntou:

- Como você está? E a garganta?

A gripe tinha sumido e a garganta estava indene.







quarta-feira, 11 de junho de 2008

Mulher Melancia no AutoShow


Não poderia existir combinação mais perfeita para o imaginário masculino: carro e mulher. Não simplesmente carro e nem tão pouco apenas mulher. O acontecimento presenciado no AutoShow Carros Antigos e Especiais desta terça-feira, dia 10 de junho, não foi um simples encontro. Poetas diriam que foi a arte do encontro. A arte em que curvas, beleza, modelo, e (porque não!?) turbinagem ganham notória bivalência e entram em perfeita harmonia.

Felizes dos incautos que estavam a contemplar um belíssimo Belair e se encantaram com as famosas coelhinhas. Venturosos dos que procuravam um Camaro sonho de consumo e deram de cara (ou de bunda) com Andressa Soares, a Mulher Melancia.

A fusão foi tão primorosa que nunca na história de uma noite de autógrafos foi registrado tamanho entusiasmo, tanto do público, que se amotinava curioso querendo comprar sua revista com direito a assinatura, como para as protagonistas, que vendiam a rodo seu produto e de quebra distribuíam formosos sorrisos para as fotos.

Em meio a um cenário composto por belas mulheres, carros, pilhas de revistas, pôsteres e melancias fatiadas – distribuídas ao público –, o lançamento da nova capa da revista Playboy no AutoShow foi um grande sucesso que contou com participação em peso da mídia, inclusive de Oscar Filho, representando o subjetivo e engajado CQC.

Chegar até Andressa para fazer uma entrevista ou apenas pegar uma citação foi tarefa árdua, digna de um verdadeiro jornalismo gonzo. E como manda o figurino:

- Olá Melancia, o que você está achando do evento?

“Um máximo. Muito cheio, nem esperava”.

- Você gosta de carros?

“Eu gosto, adoro”.

- Muito assédio do público?

“Muito! Não sabia que ia vender tanta revista aqui”.

Bom, ela podia não saber, mas Ricardo Ortiz, organizador da feira, já sabia: “Estávamos prevendo esse sucesso, pois unimos aqui duas paixões dos brasileiros. Agora a meta é trazer a Natália do BBB 8, que é a próxima capa da Playboy”.





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* Texto originalmente publicado aqui.
* A citação do organizador da feira, Ricardo Ortiz, foi inventada pelo imprudente jornalista que vos escreve, por total intimidade com o URSO e por total falta do que falar.
* Não percam as esperanças! A parte da Natália do BBB 8 é verdade.